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A Segunda Mostra Audiovisual do Mercosul une INCT-Caleidoscópio e Escola Barão Geraldo de Rezende

Estudantes passearam pelo universo do cinema latino-americano com a exibição de curtas-metragens da 2ª Mostra Mercosul Audiovisual no dia 03 de dezembro, realizada pelo CinePagu Unicamp e o INCT Caleidoscópio. 

estudantes de ensino medio e a pos-doc do INCT-Caleidoscopio na sessao de exibição dos filmes
Mirlene Simões, pesquisadora no INCT, apresenta os filmes aos estudantes. Crédito: Letícia Moreira.

Na quarta-feira (03/12/2025), a Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende, em Campinas, recebeu a exibição de curtas-metragens que integram a 2ª Mostra Mercosul Audiovisual, que tem como tema “Territórios e Paisagens em Transformação”. O evento reuniu estudantes do 6° ano do Ensino Fundamental II ao 3° ano do Ensino Médio, que tiveram a oportunidade de conhecer produções latino-americanas e refletir sobre realidades, memórias e identidades da região.

A Mostra Mercosul Audiovisual é uma iniciativa promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) em parceria com a Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (RECAM), e apresenta uma seleção de curtas de diversos formatos, temas e abordagens, produzidos em países que compõem o Mercosul. A Mostra visa promover a integração cultural e ampliar o acesso a debates e produtos audiovisuais latino-americanos para crianças e adolescentes. 

A exibição na Escola foi realizada pelo CinePagu, do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenado por Karla Bessa, e pela coordenação Sul/Sudeste do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Caleidoscópio. Os filmes foram selecionados com a curadoria de Mirlene Simões,  pesquisadora de pós-doutorado no INCT e Karla Bessa (a partir do catálogo virtual da Mostra. A coordenadora pedagógica da escola, professora Magda Aparecida dos Santos, acolheu a iniciativa e reiterou sua importância na promoção do acesso à diversidade cultural no contexto escolar.

Durante a manhã, duas sessões reuniram os estudantes, ambas adequadas às suas faixas etárias. A primeira, voltada para o 9º ano do Fundamental II e o Ensino Médio, apresentou cinco curtas do Brasil, Colômbia e Argentina, que variaram entre documentário, ficção e animação. A segunda sessão recebeu alunos do 6º e 7º ano, que acompanharam cinco produções do Brasil e Paraguai, quatro delas sendo animações, o que engajou o público. 

Simões também mediou conversas com os jovens espectadores, que demonstraram curiosidade tanto com o formato quanto com as temáticas. A estudante Nicole Trajano, do 2º ano do Ensino Médio, destaca a importância de atividades como esta no ambiente escolar: “Acho que agrega assuntos que a gente deveria prestar mais atenção na sociedade, sobre as desigualdades e sobre o que as pessoas vivem e a gente às vezes deixa passar despercebido”, afirma.

A estudante de 17 anos ressalta ainda a relevância de assistir a documentários, uma vez que eles abordam temáticas diversas que atravessam o cotidiano. “Querendo ou não, somos uma grande sociedade dentro da escola. Acho importante a gente estar mais familiarizado com esses tipos de temas pois eles estão muito presentes na nossa realidade, são coisas que fazem a gente pensar sobre o que estamos fazendo e o que queremos fazer no futuro”, declara. 

O professor de Matemática Douglas Mariano, que acompanhou os alunos durante as sessões, também destaca o potencial do cinema como ferramenta pedagógica: “Quando eles estão atentos, eles conseguem ter um pouco de olhar mais crítico para algumas coisas. Deu para perceber como no filme brasileiro que foi exibido, eles entenderam que se tratava de um estrangeiro que sofre xenofobia no Brasil, sobre o preconceito com quem é de fora”, observa Mariano. 

Temáticas e impressões sobre cidades e territórios

Aparece a tela grande onde esta sendo projetado o filme e alunos assistindo ao mesmo, dentro da escola
Estudantes do Ensino Médio assistem ao  filme “Movimentos Migratórios” (2024). 

O filme brasileiro a que se refere o professor é o curta-metragem de drama “Movimentos Migratórios” (2024), premiada produção baiana dirigida por Rogério Cathalá que narra a história de um imigrante em busca de emprego em Salvador. Este é um dos 12 curtas que compõem o Ciclo Cidade e Vivências Urbanas, da 2ª Mostra, oriundos do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia. 

As temáticas principais do ciclo tratam de questões como avanços tecnológicos, dados pessoais, migrações e xenofobia, tendo como pano de fundo principal a experiência cotidiana e as relações construídas nas cidades. Para o professor Douglas Mariano, esses assuntos podem ser desenvolvidos nas aulas e enriquecem a rotina dos estudantes, que dedicam em média 9h do seu dia à escola. 

Segundo o MinC, a 2ª Mostra tem 367 pontos distribuídos em 250 municípios de todos os estados do país. Durante a exibição na Escola, 9 curtas foram exibidos: O Malabarista (Brasil, 2018, 11’); O Intronauta (Colômbia, 2020, 15’); Las Arañas (Argentina, 2022, 14’); Mbotavy (Argentina, 2023, 1’); Movimentos Migratórios (Brasil, 2024, 14’); Teo, o menino azul (Brasil, 2022, 10’); No están solos (Paraguai, 2022, 3’); Meu nome é Maalum (Brasil, 2021, 8’) e 4 mil bilhões de infinitos (Brasil, 2020, 14’). 

Conexão universidade e rede básica de ensino

A realização da mostra na Escola Barão Geraldo de Rezende reforça a proposta do INCT Caleidoscópio de aproximar a universidade da comunidade e da rede básica de ensino. A iniciativa foi articulada por grupos da Unicamp, como o CinePagu, o Programa de Pós-Graduação em Multimeios, o Núcleo de Estudos de Gênero Pagu e a Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (COCEN) e possibilitou que os estudantes tivessem acesso a obras audiovisuais que não integram os circuitos comerciais do audiovisual. 

Para Magda Aparecida, coordenadora pedagógica da Escola, “os filmes saem um pouco do estereótipo dos filmes do cinema comercial ou dos streamings. Isso é uma oportunidade de os alunos também verem como funciona fora do território brasileiro, o que fortalece os conteúdos da unidade escolar, principalmente em história e geografia.”

A ação promoveu o diálogo entre pesquisa, extensão e educação, ampliando repertórios culturais e estimulando reflexões sobre o território e a diversidade que marcam o cotidiano dos próprios jovens. Para a escola, a atividade reafirma o compromisso com uma formação sensível ao mundo contemporâneo, e para a universidade, representa um passo na democratização do acesso ao audiovisual e ao pensamento crítico. 

Alunos do ensino fundamental assistem a uma animação que está na tela. São cerca de 25 estudantes
Estudantes assistem ao filme “Teo, o Menino Azul” (BR, 2022)

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